
Educação de Pessoas com Necessidades Educacionais Especiais
Sou professora dos segundos e terceiros anos do ensino fundamental de nove anos. Ano passado tinha um aluno com o diagnóstico de “hiperatividade, Atraso no Desenvolvimento Neuropsicomotor e Abandono Materno” (diagnóstico médico). Tinha muitas dificuldades e nenhum conhecimento em relação a este assunto, sendo necessário e de extrema importância para o processo de desenvolvimento e a relação professor x aluno com necessidades especiais que, eu obtivesse maior compreensão e conhecimento em relação a este diagnóstico médico. Saber como resolver questões e crises relacionadas à agressividade excessiva de meu aluno. O que desencadeia a agressividade? Como intervir e desenvolver o processo de aprendizagem? Como se dá o processo e desenvolvimento da aprendizagem na mente de uma criança hiperativa e com atraso no Desenvolvimento Neuropsicomotor? Estudei sobre o assunto nos livros, sites da internet e fiz um curso de 20 horas sobre inclusão que foi maravilhoso. Além disse o curso proporcionou um material de estudos muito bacana claro, simples e objetivo. Minha intenção era saber como agir nas situações de agressividade da criança, compreender suas atitudes e de que forma ensinar e ajudar no processo de desenvolvimento.
Comecei a registrar todas as informações e observações diárias em relação a esta criança e analisar o seu comportamento e mudanças. Passei a conversar com os pais da criança quase que diariamente, isso foi de extrema importância para entendermos as questões que iam surgindo.
Descobri que a Hiperatividade não se trata de um problema comportamental, mas um transtorno mental com base orgânica, o que significa que os portadores não têm controle sobre os sintomas. Na seqüência relatos de dois dias de aula quando ainda os estudos estavam em fase inicial e eu ainda estava com todas as dúvidas e angústias as quais me levaram a fazer este trabalho de pesquisa.
Diário 22/04/08
O menino, 6 anos, chegou a minha casa, pois no turno inverso fica no “laboratório de aprendizagem”, por volta das 07h30min. Um comportamento tranqüilo esperou sentado no sofá à hora de ir para a escola comigo.
Interagiu tranqüilamente em todas as atividades propostas. É participativo e disposto. No entanto não realiza as atividades cognitivas. Não compreende as ordens dos exercícios. É lhe explicado criteriosamente o que deve fazer, mas, não concebe, não entende. Não possui aparentemente nenhuma coordenação motora. Não vejo nenhuma evolução em seu desenvolvimento cognitivo.
Na atividade de hoje que era fazer um cartão e entregar a um colega, ele realizou com entusiasmo, apesar da “carta” ser um amontoado de papel rasgados.
Ele cumpre as tarefas lúdicas mesmo sem possuir o conhecimento cognitivo.
É carinhoso com todos, cordial e amigo, apesar de ser agressivo.
Na hora do recreio deu uns socos em um aluno de outra série e argumentou dizendo que o menino estava correndo atrás dele. Tenho a impressão de que a agressividade dele é uma falta de limites nas atitudes. Brinca como os demais de sua idade, porem machuca, pois, não tem noção da força e controle das ações.
Falta-lhe o entendimento em algo que ainda não sei.
Tem haver com limites. Ele não tem equilíbrio, mas, não é falha de caráter, percebe-se que realmente ele não compreende.
Observei que no dia de hoje ele está mais calmo, pois, foi tratado com carinho e afeto desde o momento em que chegou a minha casa.
Quando alguém pega o que é dele ou ele deseja o que o outro tem, a reação é agressiva e parte pra cima chorando, reclamando e pegando o que deseja violentamente.
É extremamente egocêntrico e individualista.
Senta sozinho, não permitem que peguem as suas coisas e reage com violência e atitude brusca se sente ameaçado. A questão é que se sente ameaçado quase que todo o tempo.
Dia 23/04/08
Hoje ele vomitou novamente quando chegou a minha casa. Vêm fazendo isso todos os dias devido ao remédio.
Na sala de aula foi tranqüilo até à hora do recreio. Ensaiamos as músicas para a apresentação para as mães. Ele não participou dos ensaios, pois exige concentração e disciplina e isso ele não tem concepção.
Na hora do recreio foi um desastre, ele jogou pedras nas crianças e a coordenadora teve de me chamar, pois ele não obedece a ela, se jogava no chão quando tentaram retira-lo de junto das demais crianças.
Ele obedece somente a mim. Eu cheguei diante dele e falei-lhe para me acompanhar, com segurança e firmeza. Ele acompanhou-me. A questão é que não acho certo retirá-lo e privá-lo de ter recreio. Algo deve ser feito para que ele consiga e possa conviver com as demais crianças sem ser agressivo.
Precisamos descobrir como.
Ele se nega a ouvir, nega-se a fazer qualquer coisa depois que é repreendido por alguém. Parece que é pior repreendê-lo. Às vezes penso que é melhor deixa-lo à vontade, fazendo o que ele quer que assim ele não reage negativamente. No entanto como eu posso ser imparcial e não intervir num processo de desenvolvimento, se este é meu papel? Se essa é a minha função?
Hoje conversei mais uma vez com a supervisão da escola para que tomemos medidas junto a orientação e encaminhamento à profissionais especializados com tentativas de evoluirmos com esta criança.
Estes dois relatos servem para apresentar o dia-a-dia de uma professora com um aluno que possui DDAH (Distúrbio e Déficit de Atenção com hiperatividade). Tenho feito muitas descobertas e em poucos dias sei mais sobre hiperatividade do que eu mesma poderia supor.
Descobri que o diagnóstico correto só é conseguido após criterioso exame clínico, já que não existe exame laboratorial que comprove a hiperatividade. E a conseqüência disso é desastrosa: freqüentes erros de diagnóstico. "A maioria dos nossos alunos são falsos hiperativos. Crianças que não se adaptam ao esquema rígido das escolas tradicionais e, por isso, se comportam como hiperativos, mesmo sem ter disfunção bioquímica. no caso de meu aluno ele fez os exames e o diagnóstico é "Distúrbio neuropsicomotor com hiperatividade e abandono materno." Entre os sintomas "a criança hiperativa não consegue seguir uma instrução até o fim por ser incapaz de fixar a ordem. “Para colocar limites, é preciso repetir a instrução 20 vezes”, diz Muszkat. Pude entender os por quês que antes de começar meus estudos afligiam-me. Hoje olho para ele antecipando as atitudes e podendo interferir de forma positiva. É importante que a família tenha um acompanhamento psicoterápico para compreender e saber lidar com um hiperativo.
Embora a hiperatividade não tenha cura, ela pode ser controlada com tratamento psicoterápico, prática de atividades físicas e, nos casos mais graves, medicamentos estimulantes ou antidepressivos.
Alcancei todos os objetivos que me propus em meu projeto de estudos. Entre eles aprendi como lidar com um hiperativo:
1. Crianças hiperativas precisam de limites. A saída não é deixá-las fazer tudo, mas impor as regras sem demonstrar irritação com a dificuldade da criança em responder às expectativas.
2. É preciso repetir a mesma instrução várias vezes sem perder a paciência já que a criança hiperativa não deixa de obedecer por birra, mas porque não armazenou a informação.
3. Pais devem elogiar o que a criança faz certo. Como o hiperativo vive sendo repreendido em casa e na escola, é preciso reforçar as atitudes positivas para elevar a auto-estima.
4. Não encha o quarto de bichos de pelúcia nem de quadros nas paredes. Quanto mais "clean" a decoração, mais fácil será manter a criança concentrada.
5. Também limite o número de brinquedos disponíveis para evitar distração. Descubra quais os tipos que prendem mais a atenção dela e dê preferência a eles.
6. Quase todo hiperativo tem problema de coordenação motora. Para não se chatear à mesa, prefira copos e pratos de plástico. E evite encher a sala de bibelôs ou vasos de vidro.
7. Crianças hiperativas se adaptam melhor a escolas pequenas, com menos de 20 alunos por sala, em que o professor dá atenção individual. Evite escolas que valorizam muito a disciplina.
8. Na sala de aula, o hiperativo deve sentar-se longe da janela, de preferência nas primeiras fileiras, para diminuir as distrações.
9. Como a criança hiperativa tem dificuldade de permanecer sentada durante toda a aula, o professor deve usá-la como ajudante, pedindo que busque livros na biblioteca ou que auxilie colegas com dificuldades.
10. Atividades físicas como natação ajuda a gastar energia. Mas evite esportes que demandem grande coordenação motora, como futebol ou basquete.
Estudei os sintomas de um hiperativo e crianças com 6 destes já são consideradas DDAH, sendo que o meu aluno "R" possui todos eles e num grau bastante conceituado. São eles:
. Não consegue enxergar detalhes ou comete erros por descuido nas tarefas escolares ou em outras atividades;
. Tem dificuldade de manter a concentração em tarefas ou brincadeiras
. Parece não ouvir o que se diz a ele (a);
. Não consegue seguir uma instrução até o fim e deixa de completar trabalhos escolares ou tarefas domésticas (mas a recusa não decorre de comportamento desafiador ou da falta de compreensão das instruções);
. Dificuldades em organizar tarefas e atividades;
. Evita ou reluta em iniciar tarefa que exige grande esforço mental;
. Perde com freqüência objetos de uso diário, como material escolar e brinquedos;
. Distrai-se com facilidade por estímulos externos;
. Esquece atividades cotidianas;
. Inquietação constante (remexe as mãos ou os pés ou se contorce no seu lugar);
. Sai do seu lugar na sala de aula ou em outras situações em que deve permanecer sentado;
. Corre sem destino ou sobe em cima de móveis e objetos;
. Dificuldade em se engajar em uma atividade recreativa com tranqüilidade. Está sempre em movimento, age como se estivesse ligado a um "motorzinho”;
. Fala o tempo todo;
. Começa a responder a perguntas que ainda não foram completadas;
. Tem dificuldade em esperar sua vez em jogos ou situações em grupo, interrompe a conversa de outras pessoas.
Mas entre estes sintomas podemos resumir em três mais acentuados que caracterizam um hiperativo: Déficit de atenção; Atividade motora excessiva: é manifestada através de atividade corporal excessiva e desorganizada, sem um objetivo concreto, sendo esta falta de finalidade a característica que permite diferenciá-la em certas atividades observadas no desenvolvimento normal da criança.
Impulsividade ou falta de controle: o comportamento de toda criança é controlado pelos adultos através da imposição de regras que acabam sendo internalizadas no decorrer de seu desenvolvimento. Mas na criança hiperativa este processo encontra-se alterado, sendo a impulsividade um dos aspectos relevantes do distúrbio dando uma satisfação rápida em seus desejos e pouca frustração.
Tendo estudado o histórico desta criança (abandono materno), ficou claro que, os transtornos vividos por ela e a mãe durante a gestação foram determinantes no desenvolvimento deste quadro. "A causa determinante das alterações bioquímicas cerebrais é uma questão bastante estudada e discutida, porém carece, ainda, de consenso. Vários autores acreditam que certas anormalidades, sejam no período gestacional ou por ocasião do parto, podem ser os supostos facilitadores para o desenvolvimento do quadro hiperativo".
Em alguns casos que li as mães conseguiram atenuar em considerável importância a hiperatividade de seus filhos, através de uma dieta rica em proteínas, pobre em aditivos químicos e açúcares simples e carboidratos simples.
Todas as informações que obtive, passei em sala de aula a uma mudança na prática e os resultados são imediatos. Tendo estudado que de forma nenhuma devemos demonstrar os nervos alterados e quanto mais um hiperativo gritar, tanto mais baixo devemos falar. Não sendo para ele o dispositivo que aciona o córtex-frontal. Pois hiperativos são viciados em confusão e necessitam de conflitos para alimentar as suas confusões, mesmo que inconscientes e o são. No caso "R", passamos professora, família e cuidadora da escolinha, a caminharmos juntos no processo de desenvolvimento desta criança. Notando os resultados positivos imediatamente. O menino diminuiu as atitudes agressivas consideravelmente, não sendo registrado nenhum caso desde que começamos a lidar com ele de forma paciente e afetuosa. Quando ele iniciava com os descontroles emocionais, nossa postura era de atenção, calma e carinho sem, contudo deixá-lo fazer o que deseja, pois, hiperativos necessitam de limites. Muitas vezes são deixadas estas crianças em verdadeiros tronos no ambiente em que convivem por não se saber o que fazer diante de tanta agressividade e hiperatividade.
Em uma das conversas que tive com os pais de "R", surgiu-me uma idéia, a mãe falou-me que mesmo o menino não realizando nenhuma atividade proposta pela escola, isso não quer dizer que a aprendizagem não tenha sido realizada. Disse-me que quando ela ensina-o em casa oralmente ele demonstra entre um movimento e outro que aprendeu o que ela, quando com muita paciência, ensinou. Ocorreu-me então que fizéssemos um trabalho conjunto e tudo o que faz parte do conteúdo escolar seja ensinado a ele de forma oral. Fui fazer o teste no dia seguinte contando em voz alta com ele as peças de um joguinho de dominó, para minha surpresa ele sabia contar até dez e com noção de quantidades. Comecei a olhar para ele com outros olhos, pois, fui me surpreendendo em cada teste feito e a cada experiência e tentativa de ajudá-lo. Jamais havia notado que ele estava construindo um conhecimento através das minhas aulas dadas normalmente, pois, ele não representa este conhecimento adquirido de maneira igual aos demais colegas. Com o passar do tempo às coisas na prática foram saindo de nosso controle e aí já estávamos no final do ano letivo. Ele tornara-se mais agressivo do que nunca (estava agora como uma criança selvagem como citei no fórum da interdisciplina). Com certeza a avaliação com esta criança foi de forma diferenciada, para que eu pudesse saber o quanto ele progrediu e se desenvolveu nos aspectos de uma criança de 1º ano. Foi feito algumas reuniões com os pais, equipe pedagógica da escola e professora para decidirmos a avaliação e tendo consciência de que o aluno além de não ter progredido havia regredido em alguns aspectos
Segue o parecer descritivo:
ESCOLA ESTADUAL DE ENSINO MÉDIO MÁRIO QUINTANA
Rua Maracanã, 398 – Parque da Matriz – Cachoeirinha.
Fone: 3469 1971 – E-mail: emarioquintana@br.turbo.com
Nome do aluno: R Turma: 12 Ano/Série: 1º ANO
Data: 19/12/2008 Professor (a): Elisângela Rodrigues Garcia Total de Faltas: 0
PARECER DESCRITIVO – 3ºTRIMESTRE
Defendendo a inclusão e considerando o desenvolvimento da criança, observa-se que o Ryan necessita de maior tempo e atividades pedagógicas para alcançar o estágio normal para sua idade em todos os aspectos. Portanto é de fundamental importância que ele sinta-se acolhido num grupo de crianças com idade escolar o mais semelhante possível com suas características e níveis cognitivo e motor.
No entanto é assíduo, sempre pontual e autônomo nas atitudes. Possui dificuldades e imaturidade ao manifestar interesse pelas atividades propostas, sentido crítico, aprofundamento dos conhecimentos, Cooperação/Relacionamento com os outros, comportamento adequado nas diferentes situações e ambientes escolares, participação nas atividades da turma.
Necessita de maior tempo também no desenvolvimento e alcance dos objetivos com base nos seguintes critérios: criatividade, adesão e intervenção nas atividades de sala de aula, manifestação e conhecimento dos conteúdos, aplicação dos conhecimentos em novas situações, cooperação com os outros, resolução de exercícios e/ou problemas na aula, realização dos trabalhos de casa, organização do trabalho de aula e/ou de casa.
Expressão oral, corporal emocional e intelectual ainda primitiva necessitando ainda progredir em seu desenvolvimento. Imaturidade ainda ao demonstrar e compreender os princípios elementares do Meio Social, compreender os elementos básicos do Meio Físico, conhecer a sua identidade e a realidade envolvente bem como no desenvolvimento e aprendizagem nos critérios de:
- Destreza manual;
- Exploração de vários materiais com criatividade;
-Trabalhos realizados pelos alunos;
- Revelação de competências específicas (memória, atenção, concentração, reflexos e coordenação áudio-visual-motora,…);
- Participação nos jogos de comunicação verbal e não verbal;
- Realização de atividades motoras;
- Prática de jogos infantis e
- Progressão na prestação motora;
Assim sendo o aluno freqüentará o 1º ano do ensino fundamental no ano de 2009, avaliação feita com base nas competências essenciais definidas para cada ano de escolaridade.
“Reafirmamos que todas essas possibilidades de organização do ensino fundamental em nove anos demandam estudos, análises e reflexões por parte dos sistemas de ensino. Entendemos que ao fazerem suas reflexões os sistemas/escolas devem levar em conta os sujeitos e suas temporalidades humanas uma vez que antes de serem estudantes as crianças e adolescentes são sujeitos em desenvolvimento humano. Vale refletir que o desenvolvimento humano não se realiza de maneira linear e fragmentada, mas em relação estreita com a singularidade da infância, da adolescência e das outras temporalidades.” (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, SECRETARIA DE EDUCAÇÃO BÁSICA, AMPLIAÇÃO DO ENSINO FUNDAMENTAL PARA NOVE ANOS, 3º RELATÓRIO DO PROGRAMA _MAIO 2006).
Hoje ele está repetindo o primeiro ano, lhe foi dado mais tempo para desenvolver-se em aspectos importantes. Ele está mais sociável, está tendo atendimento psicológico e outros, a mãe deixou de trabalhar para acompanhar o seu desenvolvimento, em fim, parece que todo o movimento durante o ano letivo de 2008 serviu como base para os procedimentos deste ano. Como saldo podemos ver que foi positivo e como eu esperava, o fato de ele estar repetindo a série só veio a somar no processo de inclusão.
Pedagogia Anos Iniciais do Ensino Fundamental
Disciplina: Educação de Pessoas com Necessidades Educacionais Especiais
Professora: Daniela Corte Real ( daniela.real@yahoo.com.br )
Aluna: Elisângela Rodrigues Garcia
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Apresento-lhes a “minha escola”.
Trabalho 40 horas na Escola estadual de Ensino Médio Mário Quintana, situada na rua maracanã, 398 do Parque da matriz, parada 57 em Cachoeirinha.
Atualmente a escola conta com um total de 1.144 alunos e mais ou menos 60 professores distribuídos em: 1º ano do ensino fundamental, três 2º anos, dois terceiros anos, duas terceiras séries, 2 quartas séries e o restante de 5ª série do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio. Trabalhamos em três turnos: manhã, tarde e noite. Possuímos uma equipe harmoniosa, cooperativa, responsável e muito engajada na “Educação para uma Vida Melhor”. Contamos também com uma equipe maravilhosa de funcionários, responsáveis, trabalhadores, amáveis e muito educados.
Temos poucos alunos na educação especial por que nem a escola tem estrutura para recebê-los e nem os professores têm formação para trabalhar com alunos de inclusão, mesmo assim temos alguns:
*Um aluno com deficiência física nas pernas decorrente de uma doença degenerativa, mas está em tratamento, já fez várias cirurgias e apesar de caminhar com dificuldades está inteiramente incluso, pois, estuda na escola desde antes da doença e ali possui todos os seus amigos de infância. Esta na 8ª série e regularmente tem que fazer algum tipo de atendimento e/ou tratamento médico. Recupera o conteúdo das aulas em casa, os colegas levam materiais e o ajudam a recuperar atividades e a estudar e suas faltas são justificadas;
*Um aluno cadeirante, paralisia, este também anda de muletas, mas com bastante dificuldade. Está inteiramente incluso, estuda na escola desde o primeiro ano do ensino fundamental e já tinha a deficiência. Conforme estes alunos iam passando de uno ao outro a sala de aula a qual iriam estudar era adaptada com rampa. Algumas destas foram iniciativas dos próprios pais e seus recursos financeiros, pois, a escola é pública e nem sempre tem para as despesas básicas.
* Um aluno cadeirante, este com necessidades especiais mais graves, teve paralisia quando nasceu, tem 14 anos, 8ªséria e sua mãe vêm à escola em horários alternados para trocar suas fraldas (ele não tem sensibilidade da cintura para baixo). Anda apenas na cadeira de rodas, mas, é independente em todos os aspectos, vejo-o correndo com sua cadeira de rodas pelo pátio da escola. Obs.: A mãe deste menino tem lutado por toda a sua vida escolar por seus direitos, fazer as rampas e atender às suas necessidades por que como ele depende dela para suas necessidades fisiológicas, seus professores nisso não puderam ajudar, ela tem sempre o acompanhado de perto.
* Uma menina, com 10 anos, na quarta série com uma deficiência física, de má formação em uma das mãos. Esta menina também não tem nenhuma dificuldade, escreve com a outra mãe e não parece sofrer de discriminação e está totalmente inclusa.
* Um menino com retardo neuropsicomotor e hiperatividade profunda, sete anos, repetindo o primeiro ano do ensino fundamental. Ano passado à inclusão não se realizou, pois, esta necessidade educativa especial era novidade para todos na escola, a criança era extremamente agressiva e exigia atenção integral. Todos saíram atrás de informações a respeito e hoje se sabe um pouco mais. Este menino está em uma sala de aula com mais três crianças com síndrome de Down. A professora tem experiência apesar de não ter formação específica e pelo menos a inclusão social está acontecendo. Quanto à aprendizagem ainda não está sendo possível acontecer, pois a professora não sabe como ensinar crianças com estas necessidades específicas.
* Três crianças com síndrome de Down, com 6 anos de idade cada uma e no primeiro ano do ensino fundamental.
* Alguns casos de crianças e adolescentes que fazem tratamento por causa da hiperatividade em diferentes níveis. Em alguns casos, psicólogos e psiquiatras pedem regularmente pareceres descritivos dos professores para acompanharem o desenvolvimento do tratamento. Todos estes as famílias buscaram atendimento por conta própria, a escola não possui nenhum tipo de apoio para nenhum caso de necessidades especiais.
Há, no entanto várias crianças em que os professores percebem algum tipo de transtorno por déficit de atenção ou por hiperatividade e pede aos pais que procurem especialistas e não há retorno, ou seja, as dificuldades continuam e estas crianças não são encaminhadas para fazer tratamento.
Não tenho dados mais específicos para realizar esta atividade, pois, pedi ajuda ao SOE de nossa escola e não tive retorno apesar de minhas investidas em obter os dados necessários. A escola não tem estes dados referentes às crianças com necessidades especiais e nem muito menos projetos para a inclusão na escola.
Não há nada estruturado referente à inclusão, a própria SEESP está em fase de desenvolver projetos para implementar a Política Nacional de Educação Especial. Tudo ainda esta “engatinhando”.
Falta nas escolas públicas recursos financeiros e humanos para se fazer a inclusão. Sabe-se que os professores precisam de formação na área das necessidades especiais, mas, não vejo nenhuma disponibilidade e simpatia para liberar estes professores para fazerem cursos. Não há professores substitutos nas escolas e nem a secretaria da educação vai permitir que estas crianças fiquem sem aulas para que seus professores busquem a formação. É angustiante a realidade e nossas frustrações.
Na LEI Nº. 9394/96 – LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL – 1996, CAPITULO V, DA EDUCAÇÃO ESPECIAL no §1º diz “Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender as peculiaridades da clientela de educação especial”. Na realidade isso não acontece, não temos apoio em nenhum aspecto, os professores têm que “se virar” e é claro estamos fadados ao fracasso quando por conta própria não buscamos e não podemos buscar a formação.
A referida lei ainda segue no Art. 59. “Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais”: Currículos, métodos, recursos, etc. especiais; professores com especialização adequada; acesso igualitário aos benefícios de programas sociais; etc.; etc.; e tal. Todos nós sabemos que nada disso acontece na realidade de nossas escolas públicas.
No parágrafo único do Art. 1º da RESOLUÇÃO CNE/CEB Nº. 2, de 11 de Fevereiro de 2001, asseguram às crianças “os serviços de educação especial sempre que se evidencie, mediante avaliação e interação com a família e a comunidade, a necessidade de atendimento educacional especializado”. Sentimos-nos sozinhas, ilhadas em sala de aula com nossos alunos com necessidades especiais por que se os deixarmos muito expostos estes, exigirão dos demais colegas na escola, atenção e talvez atitudes. Não foram raras as vezes que ano passado quando eu tinha um aluno com hiperatividade, fui chamada em meu horário de recreio para solucionar um problema com “MEU ALUNO”, como se a responsabilidade sobre ele fosse minha, punida por tê-lo em minha turma.
No art. 3º desta mesma resolução diz que “Parágrafo único. Os sistemas de ensino devem constituir e fazer funcionar um setor responsável pela educação especial, dotado de recursos humanos, materiais e financeiros que viabilizem e dêem sustentação ao processo de construção da educação inclusiva”. Sabemos também que nem a escola pública possui os recursos financeiros, nem as coordenadorias mandam professores com especialização. Parece-me que isto está longe de ser uma realidade. No Art. 5º faz referência a quais crianças são consideradas de inclusão. Se baseássemos neste teríamos muito mais e parece-me que nem temos os dados dos com deficiência física nem mental, muito menos queremos aumentar a lista pois maior serão as necessidades e maior as dificuldades em atende-las.
No Documento elaborado pelo Grupo de Trabalho nomeado pela Portaria nº. 555/2007, prorrogada pela Portaria nº. 948/2007, entregue ao Ministro da Educação em 07 de janeiro de 2008, logo no seu início descreve o movimento em defesa da inclusão como sendo “direito de todos os alunos de estarem juntos, aprendendo e participando, sem nenhum tipo de discriminação”. Não percebo nas escolas discriminação por parte de quem quer que seja os problemas são pela falta deformação dos professores. Quando a inclusão desenvolve-se com sucessos percebo um movimento conjunto de todos os envolvidos e comunidade escolar, ações coletivas e sem dúvida nenhuma se faz necessário uma equipe diretiva voltada para projetos que proporcionem o alcance de objetivos que efetivem as soluções dos problemas das dificuldades.
No texto acima mencionado refere-se a um Censo Escolar/MEC/INEP, realizado anualmente em todas as escolas de educação básica, jamais ouvi falar em tal Censo e se este realmente fosse efetiva minha escola teria os dados necessários e solicitados para a realização desta atividade. Isso significa que de fato não há a fiscalização dita pela lei, nem há a oferta dos recursos necessários para as escolas desenvolverem a inclusão. Quando há qualquer fiscalização me parece bem mais preocupada em dados quantitativos e aí estes são manipulados para que haja uma imagem positiva, do que dados qualitativos e aí estes exigem respaldo e respostas de toda a estrutura dos órgãos aos quais a inclusão compete reclamar. Não sei muito responder qual a solução para tantos problemas, mas me parece, ao meu alcance de ação e reflexão que, e volto a ser repetitiva, uma boa equipe diretiva na escola pode ser o alinhavo no processo de inclusão. Claro que tenho esperanças, pois, observo em escolas que há esta equipe diretiva atuante, que a inclusão se faz acontecer e é exemplo de esperança e de fazer acontecer.
Comments (3)
Janaína Siviero Ribeiro said
at 4:38 pm on May 3, 2009
Olá, ElisÂngela!
Conseguiste fazer um ótimo relato da realidade da tua escola e das vivências que tiveste com educação inclusiva. Além disso, conseguiste fazer a relação entre a experiência e as leis existentes. Tu dossiê está fcando bem rico!
Fico no aguardo da parte 3. Sugiro que utilize um nome fictício paea preservar a identidade do teu aluno.
Um abraço,
Janaína
Elisângela Martins Rodrigues said
at 3:05 pm on May 13, 2009
Janaina, no antigo wiki, até ano passado eu sabia lidar nesta pág. Agora não sei mais como editar os linkis no side bar, se conseguires me ajudar, obrigada.
Elisângela Martins Rodrigues said
at 6:01 pm on May 13, 2009
OPS... Descobri.
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